domingo, 26 de setembro de 2010

Sou livre, porque me aceito.

Eu sempre fui uma garota diferente das outras garotas, por isso já aviso que poucos poderão se identificar comigo, mas até aí, com tantas pessoas diferentes e maravilhosas pelo mundo afora, talvez, quase certo, eu esteja enganada. De fato, minha vida pode se resumir nessa única expressão: Estou errada. Opressor e oprimida. Descobri desde cedo que nem tudo que vemos e sabemos é como as coisas são na verdade e, por isso, por muito tempo tive heróis demais e espelhos de menos.

Eu sempre gostei de garotos.
É, garotos.

Dos sorrisos, dos jeitos, dos cheiros, das mãos grandes e das vozes fortes. Sempre gostei tanto de garotos que boa parte da minha vida eu passei me negando como mulher. Eu dizia que se tivesse nascido homem, teria nascido gay.

Eu realmente gosto dessa palavra, sabe. Embora ela muitas vezes saia com mais força, medo e espanto do que deveria, meu primeiro pensamento, ainda hoje, é a daquela criança que se disse gay, porque era feliz.
Meus primeiros contatos com garotos, sempre foram muito fortes e deixaram grandes impressões, amigos de infância, vizinhos de carteiras, primos em excesso, o garoto da rua de baixo com a bicicleta de gente grande, o garoto com o sorriso bonito que todas as garotas gostavam, o garoto brincalhão que sempre vinha me pedir conselho, o garoto isolado que sempre me procurava pra falar de coisas estranhas que só agente entendia, o que tinha dificuldade nas matérias e eu sempre ajudava, enfim, em minha vida eles vieram de montes, apaixonados, brincalhões, fáceis. Sempre foram meu refugio, meu lar.

Mas as meninas, as mulheres, sempre foram minha perdição.

Me era fácil dar um conselho a uma amiga sobre namorados, ficantes e amigos coloridos. Mas as mulheres... eu nunca consegui dar um conselho sobre uma namorada ou uma garota especial. Eu simplesmente não as entendia. Não compreendia suas lógicas, suas atitudes, suas roupas ou suas maquiagens. Por que para mim tinha que ser divertido, tinha que ser ousado, tinha que ser descomplicado.

E foi nesse clima de amor e ódio que passei a minha adolescência tentando me compreender. Não podia ser lésbica, não era gay. Mas, meu Merlim amado, como eu era diferente das heterossexuais! Minhas músicas eram diferentes, minhas filosofias, minhas crenças, meu jeito de vestir...

Minha primeira lição de vida, foi sempre estar pronta pra dizer, "eu não estou certa", não por que esteja errada, mas por que o mundo é tão cheio de mundos diferentes, e cores, e amores, e artes, que é impossível estar certa, por sempre existir algo a mais a se aprender, a se criar, e principalmente, a se amar.
Amor, nos contos de fadas, nos filmes, nos livros, nos poemas.. por todos os lugares. Não foi uma lição ou um aprendizado. Sempre foi minha própria consciência. “Se existe amor, sempre existe esperança”.

Eu beirava os 16, quase 17 anos, quando conheci ela. Aquela menina, aquela garota, aquela mulher que me virou o mundo de ponta cabeça e me deixou ainda mais perdida do que já estava.

Nunca gostei de loiras, e ela nem é uma de verdade, mas era assim que a chamava, de loira. E cada vez que pronunciava seu segundo nome, era com um carinho que me assombrava, uma vontade de não sei o que me deixava sorrindo e seu sorriso, seus olhos azuis, sua pele branca me fazia querer tocá-la, sussurrar em seu ouvido, vê-la sorrir uma vez mais. Com ela aprendi o segredo da maquiagem, do salto alto, da vontade de ser mulher. Com ela aprendi que era loba selvagem, que era mãe, amiga, irmã e amante. Ela era bissexual e, eu nunca soube, mas foi só quando me disseram que eu entendi. Por que pensei pela primeira vez nela com outra mulher e me incomodava, me excitava e me deixava tremendo. Pensei comigo mesma, com tantas coisas pelas quais passamos na vida, a cada segundo, a cada minuto...  por que não ?

E foi assim que começou, um encontro de lábios gentis numa festa com som alto, um toque mais longo numa sala de aula, abraços roubados e sorrisos cúmplices. Uma brincadeira de criança, mas tão adulta, tão apaixonante, tão envolvente. Exatamente como ela era. Nossos beijos dados em lugares vazios, em banheiros escondidos, em festa para entreter garotos. Nós estávamos em mundo diferente. Me descobri, a última coisa que esperei de mim mesma, me descobri lésbica, me descobri uma garota apaixonada por uma garota. E eu amei cada segundo, se era errado, eu nunca descobri, porque amor e errado, nunca foram palavras que se encaixavam na mesma frase na minha mente e no meu coração, mas tive medo mesmo assim, medo da perda e principalmente, medo do mundo.

Mas nada disso importou quando, numa noite, nós duas, escondidas debaixo de um cobertor quente nos desnudamos e nos tocamos, sua pele macia contra a minha, seus seios cor de leite cujo meus lábios não conseguiam parar de beijar, suas pernas grossas pressionando as minhas, seus dedos finos percorrendo minhas costas, seus cabelos loiros escorrendo por entre minhas mãos, seus gemidos e tremores que me enlouqueciam. E juntas, assim, encontramos um mundo diferente, um mundo de cheiros, cores e formas que era só nosso. E no dia seguinte, nenhuma das duas precisou de palavras, sorríamos uma para a outra e estava tudo em seu devido lugar.

Não viramos namoradas, ela continuou com seu namorado, o qual sei que a faz feliz, porque finalmente eu posso dizer que entendi. Entendi seu tipo de amor, seu jeito de andar, seu jeito de amar. Porque ela foi a primeira, e depois dela vieram as outras, vieram garotas lindas, diferentes, garotas rebeldes, garotas alunas, garotas professoras.

Eu nunca perdi a conexão que tive com essa primeira, minha loira, meu primeiro amor. E essa foi minha salvação, porque quando me percebi lésbica, me apaixonei por um garoto.

Garoto sério, menino malandro. seu olhar me atingia de longe, seu sorriso me fazia sorrir e seu corpo me fazia tremer. O engraçado é que o que nos aconteceu foi muito parecido com o que aconteceu comigo e com a minha loira. Foi um amor, uma paixão, sem posse, sem ciúme. Foi devagar e cúmplice, foi companheiro e carinhoso. Mas também foi fogo e quente, deslumbrante. Nesse ponto eu já tinha voltado a estaca zero. Dei tempo ao tempo. De que importa se me gostam as mulheres, de que importa se não faz sentido nenhum. E de novo eu amei cada segundo, amei sem culpa, por que mais do que nunca, amor e errado continuavam a não se encaixar na mesma frase, se tive medo, não me recordo, mas tive receio e tive minhas próprias dores. Minha loira estava entretida com os problemas do próprio namorado e eu, sofria ao vê-la sofrer.

Aprendi minha segunda lição: quando se ama, tinha que se saber o sabor da liberdade, e a ela, aquela que tinha me libertado, fui incapaz de exigir que se prendesse a mim, ela era como um pássaro, e o namorado dela sabia, sabia e compreendia, e me machucava porque sabia que ele a faria feliz, então esperei, e esperei, e esperei. E quando o momento veio, eu pedi que ficasse, porque ela tinha o direito de saber o quanto eu a amava, mas também pedi que partisse. E de novo, não precisei me explicar. Ela também sabia, ela compreendia.

E foi ele, rude, de poucas palavras, mas o coração do tamanho do mundo, quem colheu meus pedaços, quem me ensinou como amar de novo. Nos amamos nos silêncios, alguns doloridos, escondida em seu peito, alguns calmos, sentados lado a lado, vários divertidos de risadas contidas e vários de olhares e corpos, músicas que dançamos, segredos sussurrados, apoio ilimitado, sem prisões, sem amarras, só o carinho e a química doida que sentíamos um pelo outro. E logo, não existiam momentos doloridos, só o respeito por quem éramos, a paixão que crescia cada vez mais.

E um dia, num fim de noite, deixando meu corpo me mover, entregue ao som de músicas que já não me recordo mais, quando ele passou os braços à minha volta, com seu peito em minhas costas, dedos entrelaçados com os meus, é que entendi, mais uma vez, que gosto de garotos.

E depois, segurada contra a parede, deixei meus lábios tocarem sua pele morena, suas mãos grandes segurarem meus seios, seu sexo pressionado contra a minha coxa, eu quis que ele se cravasse dentro de mim, eu quis segurá-lo e amá-lo. E eu o fiz, louca e apaixonadamente. E, por uma noite, ele foi meu amante, só por uma noite. Ela era como um pássaro, mas ele eu sempre soube, não era homem de uma só mulher. Por isso no dia seguinte eu o beijei e fui embora.

Se era certo? Talvez não, eu não sei. Mas sei que isso nos levou exatamente aonde estamos agora, amigos e irmãos. Fomos amantes mais algumas vezes, mas sei que jamais seríamos companheiros, jamais seríamos parceiros. Mas meu amor por ele sempre foi o suficiente e o amor que ele tem por mim me é o suficiente.

Se uma história tem que ser uma história de final feliz, sei que sou um alguém sem história, porque não tenho fim. Meu resultado, entretanto, eram perguntas sem respostas. Me descobri sem identidade, sem rumo, sem caminho. Me descobri amada, mas sozinha.

E nesse momento aprendi minha lição mais importante: Ame, sem esperar  ser amada. “Porque enquanto existe o amor, existe a esperança”.

Não sei se procuro por mulheres ou por homem, talvez deva me dizer bissexual, mas quem sabe?


Num mundo cheio de pessoas diferentes e maravilhosas, talvez, quase certo eu esteja enganada. Mas, por fim, de que importa. Amar com todo o seu ser, seja quem você é. 

Se te amedontra, enfrente com mais afinco. Se te fascina, deixa-te envolver. Permita-se ser verdadeira. Numa realidade de tantas mentiras, tanto ódio e repugnância, a única lição que vale a pena, acima de todas as outras, é a lição que só o amor pode ter ensinar.

E foi com essa convicção que me coloquei frente a frente com a prova de fogo, olhei nos olhos da minha mãe e lhe contei que gostava de garotas, e confiei, confiei trêmula na mulher que me criou com o amor que lhe foi possível e esperei pelo tapa que, felizmente, nunca veio.

Eu confiei e mais uma vez eu agradeci a Deus, a Merlin, aos deuses que sejam, que criam e destroem, porque se existe um motivo de eu ser quem sou, é porque estou cercada de pessoas que acreditam nas mesmas coisas que eu, os amigos que se foram, doeram em seu tempo, mas os que ficaram foram aqueles que mais me importavam, e isso só prova que por mais estranha e confusa que eu seja, sou amada. E por isso não tenho medo de amar.

E essa é a lição que passo, que faço questão de deixar a aqueles que quiserem ouvir.

Não existe mais confusão em minha cabeça, só uma vontade enorme de descobrir o quanto sou capaz de ser aquela que sei que posso ser. Ser a pessoa que escolho ser. A pessoa que nasci para ser.

Minha vida é, sempre foi e sempre vai ser, minha luta mais difícil. Ouvi dizer, que ser bissexual é como estar em um armário de duas portas. E logo descobri que é um armário que, não importa aonde você vá, você sempre acaba dentro de uma das portas. No mundo lésbico eu não posso ser hétero, e no mundo hétero eu não posso ser lésbica.

Ainda sem identidade.

E essa foi a lição que fiz para mim mesma: Sou muito mais do que um rótulo, do que lésbica, do que homossexual ou bissexual. Muito mais do que mulher, homem, mãe, filha, amiga e irmã.

Sou livre, porque me aceito.


Sou amante, porque amo.


Sou gay, porque sou feliz.



CaddyBlack

17 comentários:

Aninha aruen disse...

adorei essa história,tbm sou bi,qd eu era mais nova me apaixonei por um homem e ae pensei q era hetero,mas depois me apaixonei por uma mulher,e ae qd cogitei em pensar que era lésbica comecei a gostar de um homem de novo...então conclui que sou mesmo bi! bjs :)

Anônimo disse...

nunca me identifiquei tanto com uma história. por muito tempo me exigi uma posição, um veredicto, pra me sentir confortável, talvez também para dar conforto aos outros. sou hétero ou sou gay? sou bi? hm chegamos a mesma conclusão: uma definição, que não nos contem, nos priva a liberdade de sentir. sigo feliz sendo apenas eu mesma e amando :)

Alice disse...

Se minha mãe lesse isso ela cairia pra trás, falaria que isso é coisa do demônio e a mais pura promiscuidade.
Não sei como sou tão diferente dela.
Tua história é linda e o sexo é uma das coisas mais lindas que pode acontecer entre duas pessoas, quando tem sentimento, amor puro e verdadeiro então, nem se fale.
Eu te entendo. Minha história é tipo a tua, primeiro os garotos até que um dia... Sempre tem um dia. Um dia Ela veio e mudou a minha vida completamente e pra melhor e me fez sentir e ver o que é amor de verdade. Eu também não tenho rótulos, sou assim mesmo. Nem lésbica, nem hetero e não bi. Amo pessoas, o gênero delas é um detalhe imperceptível. Amor é amor. E amor é certo.

Seja feliz!
Beijos

Brunna Nobre disse...

Olá, minha história é exatamente como a sua, vivo em conflitos comigo mesma, pois amo uma mulher que inclusive é a minha ex namorada, mas não deu certo pq tive medo do mundo e do preconceito, mas ela eu sei, que é capaz de tudo pra ficar comigo! Hoje estou namorando um garoto parecido com o que vc namorou, nao existe prisões e ciumes doentios, ele é carinhoso e gentil, ele sabe que gosto da minha ex namorada e se dispôs a me ajudar esquecer esse amor e faz de tudo pra isso... finjo não sentir dor, finjo não pensar nela porque ele não merece sofrer, mas em boa parte dos meus dias é ela que me consome, é ela que me faz chorar por estar distante. Gosto dele demais, e quando ele envolve os seus braços em mim me sinto como vc se sentiu, me sinto protejida e pensando que gosto mesmo de homem, é até engraçado, porque quando vejo minha ex e quando conversamos eu penso que não conseguirei ficar longe dela nunca. Olha, já disse pra algumas pessoas que é ruim ser bissexual, porque quando estou com um homem sinto falta de uma mulher e quando estou com uma mulher eu sinto falta de um homem (isso quando o relacionamento é sério). Não dá pra viver bem assim, nunca! Muitos Beijos e adorei muito sua história.

Anônimo disse...

Ainda não li tudo, mas te identifiquei com minha namorada. Hoje, ela insiste que não é bi. Mas acho que é pq eu a pressionei demais. Me sinto mal e ficar e namorar (enfrentando tanta dificuldade) com uma bi. Porque afinal, se ela pode ficar com homens, se ela consegue, porque então ficar comigo e sofrer tanto? Ainda não temos liberdade de sair e namorar sempre, não há lugar, nem se compara com um relacionamente HT. Me sinto mal. Ela só ficou, assim, de amar mesmo só comigo. O resto foram homens, que nunca deram valor à ela. Aí penso que porque eu dou (e muito, porque a amo demais mesmo!) ela aceitou esse amor.Vou terminar de ler...

Anônimo disse...

Como imaginei. Pra quem ama, ama de verdade, de querer casar e tudo, sofre pacas com pessoas que não sabem o que quer. Meu namoro ja foi e voltou 2 vezes por essa questão. Minha insegurança aumenta, só de pensar em perder ela pra um carinha (que geralmente só quer uma transa, e nunca, NUNCA vai conseguir fazer por ela o que eu já fiz e faço). Ela se ilude fácil com as pessoas, antes do namoro sempre fomos melhores amigas e eu a conheço demais. É complicado, tem que ter muito amor, muito mesmo.

Psycho Lés disse...

Já temos uma presidente sapa agora só falta votar no Blog !!!!
Prêmio Top Blog
O Site Psycho Lés foi selecionado como finalista.
http://psycholes.blogspot.com/
OU vá direto ao link do prêmio e vote...
http://www.topblog.com.br/2010/index.php?pg=busca&c_b=15103381
Mostre que nós Lés somos unidas,
além de eleger uma presidente do Brasil,
também elegemos o nosso blog.

Rodrigo Rocha disse...

Helena passei para conhecer seu blog ele é not°10, show, fantástico, muito maneiro com excelente conteúdo você fez um ótimo trabalho desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
Um grande abraço e tudo de bom

Katerina disse...

Nossa, eu adorei isso. E tenho certeza que me deixará pensando por horas. Como é essa vida, né? Às vezes estamos cheios de certeza e em outras horas isso tudo some.

Anônimo disse...

Olha gata vc me inspirou a mandar usn emails com este link... minhas amigas,amantes, futuras esposas e ficantes vão amar...hahahaha!!!

Olha HELENA vc tem algo a mais que não sei explicar mas sei que vc por todo este sentimento de amar que expressa nos seus blogs no mínimo deve emanar LUZ!!
Obrigada:)
Ana Pantaneira

...Família Colorida... disse...

ADOREI o blog!
Vou colocar nos meus favoritos!!!

Beijos

Minha mãe é mulher da minha outra mãe! disse...

Olá...tudo bem!!!?Temos um presente para vocês lá no nosso blog...
Entra lá e pega seu presente!!vlws bjinhos Cláudia Nogueira

Minha mãe é mulher da minha outra mãe.
http://maesles.blogspot.com/

Anônimo disse...

Sua história é parecida com a minha, sempre namorei homens, eu tb negava pra mim mesma, parece que estou lendo minha historia mas no fundo sempre gostei de mulhereres... me adiciona
liviassp@live.com

Anônimo disse...

Olá, já enviei e-mails mas a autora não responde!! pq cria um blog se não responde?????

Anônimo disse...

ah parte dos homens me deu uma vontade de vomitar mais da loira foir legal mais seria tao romantico se vse ficasse com ella

Anônimo disse...

Vc tem o dom da escritaa merliniana

Anônimo disse...

Meu deus, que coisa linda. Depois que descobri que era diferente, passei a ler tanta, mas tanta coisa sobre bissexualidade. Conversei com pessoas de todos as orientações possíveis, mas não consegui me identificar com a fala de nenhuma delas do jeito que me identifiquei com o seu texto.
É tão difícil aceitar. Somos chamados de promíscuos, infiéis, indecisos. Por um tempo eu até acreditei em toda essa bobagem. Mas agora, mais do que nunca, entendo que as pessoas não entendem nada. Elas nunca vão entender o que é ser capaz de olhar para alguém e apenas amar, sem se sentir preso a padrões. É uma pessoa que está ali. E se eu a quiser não fará diferença qual o formato dela. Não fará diferença qual é o tom da sua voz, se for um tom que me toque. O Amor, com "a" maiúsculo vai muito mais além de todas essas cascas mundanas.